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Obras

Obras de reabilitação no condomínio: três documentos antes do concurso

Nos condomínios que a Condoarade administra, uma obra de reabilitação segue sempre os mesmos passos: um engenheiro prepara três documentos técnicos antes do concurso e pedimos propostas a várias empresas, todas sobre o mesmo processo. Depois, a assembleia decide com base num mapa comparativo dessas propostas. A decisão fica assim registada e pode ser verificada anos depois.


Porque se seguem estes passos

Um edifício faz obras de reabilitação uma vez em cada dez a quinze anos, e essas obras pedem quotizações extraordinárias na ordem das dezenas de milhares de euros ou o fundo comum de reserva acumulado durante uma década. A assembleia tem, por isso, de poder justificar a decisão, do lado técnico e do lado financeiro, tanto perante quem está presente como perante quem compra uma fração três anos depois e lê na ata que se aprovou uma empreitada de oitenta mil euros.

Sem regras fixas, a sequência que encontramos costuma ser esta: alguém pede preços a três empresas conhecidas, cada uma faz uma visita rápida e, três semanas depois, chegam três totais redondos em folhas A4, adjudicando-se a mais barata. A meio da obra aparecem trabalhos a mais que ninguém previu, e a assembleia acaba por pagar uma derrapagem de vinte por cento. Com os três documentos os imprevistos continuam a existir, mas ficam previstos no contrato e cada um tem de ser devidamente justificado.

Os três documentos

O processo técnico é preparado por um engenheiro inscrito na Ordem dos Engenheiros Técnicos, e os três documentos andam juntos e ficam vinculados ao contrato de empreitada, pelo que quem assina a proposta se compromete a cumprir os três.

Caderno de Condições Técnicas Especiais

Define como se faz cada operação técnica. Numa reabilitação de fachada com armaduras expostas descreve cada passo, a começar pelo jato de água sob pressão controlada, pela picagem mecânica com martelos elétricos abaixo de 7 kg, pela preparação da superfície e pela escovagem das armaduras. Seguem-se a argamassa anticorrosiva em duas demãos, a argamassa de reparação classe R3 segundo a norma NP EN 1504-3, o inibidor de corrosão, o barramento geral e o sistema de pintura final. O Caderno fixa também as regras gerais da obra, nomeadamente o estaleiro nos termos do Decreto-Lei n.º 273/2003, com Plano de Segurança e Saúde e coordenador, e o Plano de Prevenção e Gestão de Resíduos, com entrega a operador licenciado. A estas regras juntam-se o painel informativo de obra e as normas de segurança dos andaimes.

Memória Descritiva e Justificativa

Define o que vai ser feito, em que ordem e porquê, identificando o objeto da empreitada e as áreas de referência de cada elemento, descrevendo a construção do edifício e registando as patologias com fotografias. O ponto mais importante é o faseamento por prioridade, em que a obra é dividida em blocos que se podem executar em separado, pelo que, se o dinheiro não chegar para tudo no mesmo exercício, a assembleia pode adjudicar só uma parte. A Memória fixa ainda a forma obrigatória de apresentar as propostas e os requisitos do empreiteiro. Exige, nomeadamente, alvará da classe adequada, pelo menos dois anos de atividade, apólices de seguro válidas, declarações de não-dívida às Finanças e à Segurança Social e currículo com pelo menos duas obras do mesmo tipo.

Mapa de Quantidades

É o documento que as empresas preenchem e lista, artigo a artigo, todos os trabalhos previstos, com descrição técnica, unidade de medição e quantidade. A coluna do preço unitário fica em branco para cada concorrente a preencher, e os subtotais por capítulo e o total geral calculam-se sozinhos. Todas as empresas recebem a mesma folha de cálculo, com as mesmas cinquenta a oitenta linhas, e devolvem-na com essa coluna preenchida. Quando as propostas chegam, comparam-se linha a linha e vê-se quem cobra mais pela lavagem, pela picagem ou pela impermeabilização, já que as diferenças aparecem em cada artigo.

Pedido de propostas

Convidamos empresas com capacidade demonstrada para o tipo de obra, e cada uma recebe o pacote completo, com o Caderno de Condições, a Memória Descritiva, o Mapa de Quantidades e a lista dos documentos contratuais exigidos. Recebe também um prazo de resposta com data certa, normalmente três semanas depois do envio. Para obras de conservação extraordinária, o artigo 1436.º, n.º 2, do Código Civil obriga o administrador a apresentar pelo menos três orçamentos de proveniências diferentes, salvo se o regulamento ou a assembleia dispuserem de outra forma.

O mapa comparativo para a assembleia

Recebidas as propostas, a Condoarade prepara um mapa comparativo de uma página, com o valor, o prazo, a garantia e a documentação de cada concorrente, acompanhado de uma recomendação fundamentada. Se uma proposta tem um erro de cálculo, como aplicar IVA à taxa única de 23% em vez da taxa mista que se aplica a obras de reabilitação habitacional, o mapa regista o erro e propõe a exclusão. O mesmo registo se faz quando uma proposta oferece garantia inferior à exigida ou omite os meios auxiliares.

O mapa entra na ordem de trabalhos da assembleia como ponto próprio, «apresentação do mapa comparativo de propostas e deliberação sobre a adjudicação», para que a assembleia decida com a informação técnica na mão.

Fiscalização e gestão de projeto

A assembleia aprova três contratos em conjunto, dos quais a empreitada é apenas um. O segundo é a fiscalização técnica independente, feita por um engenheiro inscrito na Ordem dos Engenheiros Técnicos, numa empresa sem ligação ao empreiteiro. O terceiro é a gestão de projeto pela administração, um serviço à parte da administração corrente do condomínio, com orçamento próprio. Os três contratos correm em paralelo e terminam na receção definitiva da obra, normalmente um ano depois da receção provisória.

A fiscalização independente confirma que a argamassa anticorrosiva foi aplicada antes da pintura, que os tempos de cura foram respeitados e que os materiais são da marca aprovada. Como boa parte destes trabalhos deixa de se ver depois do acabamento, sem fiscalização o condomínio fica dependente da palavra do empreiteiro. Quanto à gestão de projeto, trata dos contratos e das faturas por fases, normalmente 30% na adjudicação, 40% a meio e 30% na conclusão, ficando retidos 10% do valor até à receção definitiva. Ao longo da obra informamos os condóminos e guardamos todos os documentos na Área de Cliente.

Quem fiscaliza. A administração do condomínio não fiscaliza tecnicamente a obra que adjudicou, já que quem coordena a contratação não deve certificar, ao mesmo tempo, a qualidade da execução, pelo que a fiscalização é independente do empreiteiro e da administração.

O que pedir ao administrador quando há obras na ordem de trabalhos

1O processo técnico completo: Caderno de Condições Técnicas, Memória Descritiva e Mapa de Quantidades, sem os quais as propostas não se podem comparar.
2Pelo menos três propostas sobre o mesmo processo, como pede o artigo 1436.º do Código Civil, já que propostas feitas em modelos diferentes não se podem comparar.
3Mapa comparativo escrito com recomendação fundamentada, enviado com a convocatória da assembleia.
4Fiscalização técnica independente, orçamentada e aprovada na mesma assembleia que aprova a empreitada.
5Plano de pagamentos faseado com retenção de uma percentagem do valor (tipicamente 10%) até à receção definitiva.
6Garantia escrita da empreitada, que na reabilitação de fachada com tratamento de armaduras deve ser de pelo menos cinco anos.

Um caso real

Num prédio administrado pela Condoarade, com cerca de 1.700 m² de fachadas a reabilitar, foram preparados os três documentos técnicos e convidadas três empresas com alvará adequado, e todas as propostas chegaram dentro do prazo. Uma foi excluída por erro no cálculo do IVA e, das duas restantes, recomendámos à assembleia a de menor valor, que tinha também o prazo mais curto e a garantia mais longa. A assembleia aprovou os três contratos (empreitada, fiscalização independente e gestão de projeto) dentro da quotização extraordinária já aprovada para o efeito. Da decisão de fazer obras até à assinatura dos contratos passaram cerca de três meses.

Para condomínios em Portimão, Lagoa, Alvor e Lagos

Nesta zona as obras de reabilitação de fachada são frequentes, porque o mar acelera o ataque dos cloretos ao betão armado, o sol degrada os acabamentos e as variações de temperatura abrem as juntas. Nos prédios que a Condoarade administra, uma obra destas chega à assembleia com os três documentos, o mapa comparativo das propostas e uma proposta de fiscalização independente.


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